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Saudades...
Saudades!
***Paulo Nunes
Junior***
Queima meu peito e
atormenta minh’alma,
Faz-me chorar lágrimas de
dor,
das lembranças de um beijo de amor,
de um carinho
que se foi.
A saudade vem...
e retira o brilho de meu
sorriso,
coloca-me como seu escravo
arde num turbilhão
de lágrimas
que se vão...ao encontro do
nada...
Saudades de meu tempo de pequeno,
dos
pequenos,
que comigo podiam livres brincar pelas
praças,
saudades de meu pai sentado à beira da
lareira
a querer jogar prosa fora na companhia de sua
família.
Saudades da manta colocada nas noites de frio sobre
mim
por minha mãe que agora se foi.
Saudades de um
tempo
onde se tinha orgulho de nossos governantes,
Em
que nossos esportes eram vividos por prazer e garra,
e não em
troca de milhares de dólares.
Saudades dos amigos que
nos visitavam
compartilhavam conosco de suas
angústias
sem nenhum tipo de maldade,
Saudades de um
tempo em que todos tinham trabalho,
as feiras lotadas,
saudades do pastel,
que fazia às crianças esperarem pelo dia
das compras nas feiras.
Saudades de um tempo onde existia o
respeito
se casava por amor, somente por
amor.
Saudades das coisas mais simples,
como poder
andar livremente,
Saudades de sentar debaixo da
árvore,
colher a fruta e degustá-la,
Saudades do
médico de família.
Saudades do domingo no almoço com
o padre,
Saudade do santinho que se ganhava,
Saudades
do álbum de figurinhas,
Saudades da bolinha de
gude,
da massinha, do quebra-cabeça...
Das festas de
aniversário com crianças irradiantes,
em torno de bolos e
docinhos,
feitos com carinho por suas
mães.
Saudades dos profissionais que se
dedicavam
com afinco em suas carreiras,
colocando
sempre a ética antes da ganância.
Saudades das poesias feias
em papéis de pão,
dos diários onde colocávamos
as
coisas mais simples que sentíamos.
Ah essa
saudade...
Que me faz lembrar dos meus amáveis
animaizinhos
retirados sempre pela dolorosa separação da
morte.
Agora aqui estou eu a falar contigo
“saudade”:
- Não me faz mais sofrer, não me tire mais
nada...
...pois neste novo tempo sobrou-me bem
pouco!



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