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Angústia final! Se minha vida definha aos poucos, me levando ao desconhecido... É tua ausência que me derrota, quando o sol surge e me enterra ao
entardecer...
Se as lembranças doces já não vêm à mente é porque minha alma grita por socorro, diante de tua
indiferença...
Se os dias se fazem frios e sombrios, mesmo quando o sol é dominante, é porque não tenho mais você para aquecer-me...
Se sinto o meu leito como se pedra fosse a esperar-me é porque falta teu corpo, a
saciar-me sem precedentes... Esta paixão que vivo seria doença?... Estaria, por fim, a cobrar-me algo que desconheço? Porque sofro tanto por ti, se hoje posso vislumbrar tua verdadeira
face?
Seria amor, então, a cobrar-me pela eternidade, só porque escolhi a ti para entregar o meu
coração?
Como de toda a doença busco a cura, de ti quero afastar-me, porque se um dia me foste vida, hoje me fazes sentir o gosto da própria morte, a descer pela garganta, no lugar do gosto de teus lábios, que me enchiam de amor e
levava-me a gozos profundos...
Dei-te minha lua, meu sol, meu mar; minha terra... Abusaste de tudo, mas o segredo de poder ter tudo isto não te dei: esta essência carrego em meu peito e
desejo encontrar alguém, para poder
entregá-la.
Busco entre os pássaros meus amigos, entre a lua minha confidente; entre as matas companheiras...
Entre a razão e o amor a quem, agora, entregarei a minha essência e, por certo, encontrarei! Paulo Nunes Junior
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