Tempos
sombrios Quando o sol se apresenta ofertando-me o
dia, cansado, encontro-me nos caminhos da noite que percorri em minha
busca... Caminhei entre alamedas, becos,
cantinhos, procurando algo que perdi, algo que se foi... Coração
cansado... Nesta busca que parece infinita colho as
lembranças de um tempo onde as estrelas tinham mais luz, minhas noites
eram de luar, o nascer dos dias de
esperança... Quando olhava para o lado, ali você
estava, me fazendo acreditar no amanhã, dando-me as forças que tinham sido
roubadas. Ah! tempos estes de doce amor, de
noites que se misturavam a dias e tardes de amor selvagem, entrega de
corpos entrelace de almas... Agora, sem você, nesta procura de poder
descobrir onde estarão minhas forças perdidas, descubro que vivia ao lado
de uma miragem... Neste caminhar que se faz fardo pesado,
encontro de zumbis, noites frias, madrugadas tenebrosas, uma busca
exagerada, voltas meio ao nada, a alma exausta, a descrença tomando conta
de meu ser... A lágrima, única companheira, o olhar
diante do mar que toma conta de meu ser fazendo viajar entre tempos
passados... Lembranças doces, outras amargas volta
ao habitar o espelho, a minha espera, a marca do tempo na face, ao redor,
cheiro de solidão, pálpebras
pesadas... Fecham-se os olhos, entrega ao sono
sem sonhos... Afinal onde está o que
perdi? Quem sabe um dia abra os olhos e possa
enfim encontrar... Paulo Nunes Junior
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