Eternos dias de outono...
Agora, caminho entre os bosques de minha vida, com o coração
dilacerado, a gritar pelo teu nome, em busca de teu carinho e
consolo...
Minhas mãos sentem a falta das tuas, que marcadas pelo
tempo, me traziam a segurança, o carinho e o afeto de teus lábios, sempre
a gotejarem doces palavras...
Saudades de um tempo em que me sentia
amado,
que não temia o novo amanhecer, por poder contar contigo ao
meu lado.
Tempos estes, que deixaram marcas em minha
alma,
lembranças de nosso amor; de uma união que exalava
pureza...
Eras tu a minha deusa, senhora, poetisa, estrela
maior!...
De meus dias fazia minutos!... De meu nome fez história ao
me conceder teus ensinamentos de honra, de moral e religião... A tua
maneira meiga, a me ensinar a primeira oração, teu carinho em minhas
noites de enfermidade, teu apoio em minhas quedas,
teus ensinamentos em meus
erros...
Ah!... Doce Senhora, porque me deixaste? Porque
partiste?...
Deixaste meu coração dilacerado pela dor, dor esta, que
nunca cicatriza, tira a inspiração do poeta, me torna órfão, perdido em
meio ao universo...
Quando ouço o cantar dos pássaros, quando meus olhos são
presenteados com a linda visão do oceano, quando caminho entre as areias
alvas, a lágrima roça minha face e te quero aqui!... Olho, grito,
corro e me vejo só...
Um dia, a morte, te retirou de mim, naquele dia, retirou o
brilho da minha maior estrela!... Quero e acredito, que nossa separação é
momentânea, e isto, me dá forças para prosseguir em meio a este mundo, que
por vezes, me assusta.
Hoje, queria, como fiz por anos, colher as rosas champanhe,
colocar em teus braços, te beijar e ver teu sorriso a contemplar o
momento...
Recolho-me a meu cantinho, a espera que o sol, um dia,
apresente enfim, o dia de nosso reencontro, e possa ai então, te ver
e novamente estar em teus braços
mãezinha amada...
Beijos, Estrela da minha
vida...
Paulo Nunes Junior

