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"O Amor Pede Passagem"
Autor: Paulo Nunes Junior
«Comecei a
escrever em Dezembro de 2005 dia 25. Vejo a poesia como a fala de nossa
alma de nossos anseios e desejos, a forma que deus nos concede de se
comunicar com nosso irmão, sem fronteiras sem preconceito, um instrumento
de amor e paz.»
Paulo Nunes Júnior
Ao convite, que, de modo nenhum, poderia recusar, tratando-se que quem se
trata, e, fazendo jus a um imperativo de consciência que, neste caso, quer
dizer de toda a consideração por quem é, para prefaciar este e.book,
confesso que senti dificuldade em satisfazer o pedido, por ter de comentar
uma obra muito jovem e pouco abundante, e não se sedimentou ainda num
percurso razoavelmente extenso, ou alongado no culto da Arte aqui
exercitada. Mas, do que li, tracei algumas coordenadas que não sendo
exegéticas, no sentido literal do termo, são contudo amostras de que o
Autor está no bom caminho, e possui capacidade plena para singrar nesta
difícil de arte de versejar com originalidade.
Paulo Nunes Jr é um poeta recente, como nos confessa, iniciado no final do
ano de 2005, e que se tem destacado pelos seus amorosos sentimentos de
solidariedade, mecenato, benquerença. Neste momento já ninguém o ignora,
pelas melhores razões, e pelas melhores causas que defende. A poesia nele
é um estado de alma que procura perfumar as suas amizades com a palavra, e
não só, também na acção quotidiana.
Pediu-me o Autor que prefaciasse o seu livro. Em boa verdade, não poderia
de modo nenhum declinar, pois seria, ademais, e, sobretudo, uma ingratidão
inominável, por razões que se prendem com reconhecimentos particulares que
só a ambos diz respeito, e imperativos privados de consciência.
Agora encontro-me contigo deusa da escuridão...
vens tu sobre teu cavalo do apocalipse
anunciar o falso julgo?
A poesia que Paulo Nuno Jr cultiva, está dentro dos moldes actuais; uma
poesia sentida, pulsada, reveladora de estados de alma crus, muito
espontâneos, certamente também algo trabalhados. É amorosa como é o seu
sentimento perante o mundo que o rodeia; discorre pelas dicotomias
amor/ódio, bem/mal, e percorre um trajecto muito natural, como natural é a
sua vida.
«O que sinto por ti é mais forte que o vento...
Mais quente que o sol, maior que os oceanos...
Sem teu cheiro não vivo, mais...
Sem tua pele não existe mais sabor,
Sem tua fala torno-me surdo para o mundo...
Tu és minha visão,
Meu alimento,
Meu amor!
...»
Um amor, assim, sendo terreno, espraia-se pela imensidão. Tanto é terreno
como celeste. Como também divino. E é nessa dimensão que todo o amor é.
Ultrapassa a condição mortal de quem o sente. Salomão construiu o «Cântico
dos Cânticos», com os recursos terrenos de que dispunha. Eles são à
partida terrenos, mas volatilizam-se, esfumam-se pelo espaço infinito,
quando vividos com intensidade numa adoração divina. A sua auréola não
pertence às coisas pesáveis, medíveis, e extrapolam em direcção à
eternidade. É a extensão de tudo o que para ser puro, tem de ser inefável
e percorrer um caminho glorioso, sofrido até.
Estamos em presença de uma poesia mística, às vezes. Ora ternamente
amorosa. Caracteriza-a o seu «modus faciendi» cheio de (com)paixão. Não
sendo prolixo, nem um autor com muita obra editada, é, no entanto, um par(ceiro)
a quem devemos estar muito atentos, porque é muito bem capaz de nos
surpreender no futuro mais próximo; será certamente um par para sabermos
respeitar e admirar.
Finalmente, diria que a poesia de Paulo Nunes Jr é romântica salomónica.
Transcende o sentimento terreno para o expandir pelo espírito. Não se
cinge ao imediatismo, nem a um suspiro momentâneo, como alguma da que leio
por espaços que não são meus, e só sou obrigado a ler para ver se aparece
alguém com uma voz original, ou atestar qualquer evolução na estesia de
algum(a) neófito(a) debutante emergente.
Os românticos mais famosos não são deste tempo. Tiveram a sua época
própria. Morrer de amor já passou à história da antiguidade. Hoje ama-se,
e dá-se ao amor o valor que ele nos merece, sem drama, sem pieguice, sem
tragédia. E dura enquanto dura. Diviniza-se o amor pela plenitude que os
dois protagonistas dele recolhem e fruem. Na justa medida. E quando uma
parte claudica, a outra remedeia-se, e procura outro merecimento. Mas no
apogeu, de facto, é de boa memória torná-lo sublime e vivê-lo no expoente
máximo de intensidade. É isto o que atesto na poesia dos nossos melhores
contemporâneos.
Efectivamente, hoje ninguém morre por amor, ninguém mesmo, a não ser o
caso raro, a excepção toda regrada: há alguém que de manhã morreu de amor.
Todavia não foi de amor, foi por perrice... Para ser lembrado como
excepção à regra dos nossos costumes. Foi por caturrice! Foi só por ter
lido Werther ao som da 'Clair de Lune' na hora errada. Na hora em que se
descansa ou desiste da vida como se se quisesse imitar algum deus. Por
azar dele, e sorte geral, ninguém lhe seguiu o exemplo.
Paulo Nunes sabe do que falo. É um contemporâneo atento, muito cioso da
coragem com que enfrenta o mundo e esta actividade nada fácil, que é a
poesia, contudo muito generosa e gratificante, um amigo e companheiro
muito culto e que procura o seu caminho nas Letras, pelo estudo, pelo
trabalho, pelo exercício, pela comparação e pela distinção. Vamos
incentivá-lo sempre que tivermos oportunidade de o fazer no sentido de
atingir a perfeição que também está ao seu alcance; bagagem não lhe falta,
vontade também não. Deixemos assim que se desenvolva até atingir o máximo
de todas as suas potencialidades literárias! E que ressuma nele os vapores
de toda a sua idiossincrasia, de todo o seu talento, de todo o seu gosto
pela Arte que abraça, num trabalho desenvolvido com estilo próprio, o qual
quando atingido, irá apurar e individualizá-lo na distinção.
Agosto,2006
Armando Figueiredo
Edição e
Composição:
Sonia Orsiolli
Download gratuito:
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