CABELOS BRANCOS...
Paulo Nunes Junior
Quanto de ti vejo sendo esquecido,
agora encontro-lhe neste banquinho, deixado
ai...
Por aqueles a quem tanto dedicastes
amor.
Busca entre os pássaros tua companhia
solitária,
“joga conversa fora” com qualquer
um,
procurando sempre alguém para
prosear.
Por vezes, repete os assuntos devido à
memória,
e teus interlocutores sem paciência logo dizem: È a
idade...
Procuram uma desculpa e se afastam,
quantos destes um dia serão como
vós?
Bem poucos, talvez, com tua sabedoria,
pois,
renegar-te, é renegar ao próprio sangue a própria
existência.
Sem você, nem eu, nem aquele que te evita
existiria.
Você tem a experiência de quem já conheceu
muito,
E, como bom professor que é,
tenta a cada qual passar teu
aprendizado.
Muitos te evitam porque preferem outro tipo de
diálogo,
mais ação, mais emoção, outros “papos”, deixam-te para
trás
deixando sempre um pedaço de sua própria
história
sem perceber que de ti poderiam, ainda a tempo, aprender
muito.
Ah tão complicado é alguns seres, tão
preconceituosos,
tão cegos de espírito...
Mas, devemos cada um fazer nossa
parte.
Não será porque poucos tratam seu passado com
desprezo
que faremos o mesmo, devemos respeitá-lo
duplamente
pois estais ai, vivo...Com o coração batendo, amando ainda
e,
dotado de todos os sentidos, inclusive o da
mágoa.
Tuas rugas e marcas, cada qual carrega uma história
certamente,
e devemos sentar perto de ti dar-te as mãos, escutá-lo,
amá-lo...
Ver que sem ti o mundo seria ignorante pois nada
saberíamos.
O “saber”...Vem sempre antes de nós
mesmos
e você veio antes de nós.
Vamos prosseguir na esperança que um
dia
Aqueles a quem tanto dedicaras amor e carinho,
vejam simplesmente,
Que você é alguém que ainda deseja ser
amado,
E, não existe amor sem respeito, meu doce
ancião...
Sempre, sempre meu respeito e amor por
ti!
Paulo Nunes Junior
SP- Brasil
28/07/2006
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No colo da vida
Graça Ribeiro
E o tempo...e o tempo caindo no colo da vida
derrama doces lembranças, faz recordar os sonhos,
de quando a vida brincava de correr atrás da vida
Mas o tempo...o tempo passa e nem se percebe
que os cabelos se tornam flocos de saudades
e a solidão faz companhia à terceira idade
Dizem que é a melhor idade...talvez seja verdade
porque o instante de ser feliz é agora
mas ninguém consegue ser feliz sozinho
Observo naquele banco de jardim um Ser triste
olhando para o nada, falando para ninguém ouvir
e penso em como ele deve se sentir
Esse ser que plantou tantas sementes
que educou, serviu, tanto amou
o que será que sente aquele coração
quando se vê em plena solidão?
Minha emoção se senta ao seu lado
segura as mãos deste mestre de vida
que no seu silêncio que grita na praça
atinge a minha alma como pedra na vidraça
O amor aos idosos, a valorização do humano
o despertamento de um olhar que acaricia
tudo isto pode ser feito em forma de poesia
Porque o idoso é a rima viva do verso
é a metáfora do tempo nos dizendo
que o nosso corpo envelhece
mas o sentimento vive no tempo do eterno
Que os "Cabelos brancos" sejam respeitados
como símbolos neste país sem memória
que todos valorizem homens e mulheres
que ajudaram a escrever a nossa história