Fome de
Dignidade
De que me
adianta meus olhos se fecharem à realidade
sair pelos
campos a ver somente flores.
Sentir-me bem
comigo mesmo,
ter minha
cama limpa, macia a espera de meu corpo,
estar bem
alimentado, às vezes até em demasia...
De que me
adianta fazer de conta que minhas crianças estão a sorrir,
a brincar,
viver livremente entre campos
e plumas de
beleza e encanto.
De que me
adianta, enfim...Sentar-me,
aceitar a
tudo que meus olhos teimam fazer de conta não existir,
mas
existe...
Quanto
poderia ser feito pelos templos que ostentam riquezas?
Seria esta o
tipo de demonstração de fé esperada por nosso
Pai?
Quanto
compramos a mais, quanto desperdiço?
Quantas vezes
paramos
e damos as
costas aos problemas de outras nações,
como se nunca
fossem nos tocar?
Crianças
jogadas do alto do edifício pelo próprio pai...
Outras,
morrendo ao léu, por fome...
A ave de
rapina apenas a esperar o derradeiro instante
Seria o
derradeiro instante do amor...?
Seria o
derradeiro instante de cada um de nós?
Ou, seria um
chamado para a maior de todas as guerras?
Lutar contra
a fome, a fome de alimentos, a fome de justiça,
a fome de
dignidade, a fome de vergonha,
a fome de
lares destruídos, a fome da decência.
Dar as
costas, achar que nada poderá ser feito, seria cômodo...
Entrelacemos
as mãos! Cuidemos de nossos lares
sem esquecer
que tudo que jogamos fora, por excesso;
poderá servir
ao lar de nosso vizinho.
Não importa
se este vizinho é negro, branco, amarelo,
homem,
mulher, homossexual, nada importa...
Importa
somente. Que olhemos como nosso irmão, apenas
isto!
Respeitando a
individualidade de cada um e, sem humilhação,
ajudando,
estendendo a mão, abrindo o coração, ofertando o
pão...
A humanidade,
passa, talvez, pela fome moral...
Devido a
ganância dos grandes senhores,
governantes
escolhidos pelos votos, outros; impostos por minoria.
Esta fome
violenta que arranca do homem a dignidade do
trabalho
e com este
labor o sustento de sua própria família...
Ah! Esta dor
que domina a minha alma a deparar-me com tal
cena!...
A lágrima que
roça minha face?
Profunda.
Chegando as profundezas de minhas entranhas!
Quando acho
que já teria feito muito,
Vejo que
ainda existe muito a ser feito
Quando penso
em descansar,
Vejo que
tenho que levantar-me
lutar pelos
pequenos vigiados pelos urubus,
Fazer minha
parte...Lançar meu exemplo a meu próximo
e esperar que
cada qual faça o mesmo
E, assim
alcançarmos a vitória sobre a fome
que coroe a
dignidade da vida!
Se me
satisfaço com um pão...Mas tenho moedas para seis...
Reservo
agora, os outros cinco a meus irmãos...
Afinal, para
aonde um dia vou,
me apresentar
a meu Pai, nada levo...
Sem ser minha
história...
Paulo Nunes
Junior
SP/BRASIL



""Construamos a
paz promovendo o bem"
Ganhadora do
Prêmio Pulitzer em 1994 e publicada pelo The New York Times, a foto foi
tirada em 1993 no Sudão, pelo fotógrafo sul-africano Kevin
Carter(1960-1994). Esta descreve uma criança faminta sem forças para
continuar rastejanado para um campo de alimento da ONU, a um quilômetro
dali. O urubu espera a morte desta para então poder
devorá-la.
Carter disse
que esperou em torno de vinte minutos para que o urubu fosse embora, mas
isto não aconteceu. Então rapidamente tirou a foto e fez o urubu fugir
dali, açoitando-o. Em seguida, saiu dali o mais rápido
possível.
O fotógrafo
criticou duramente sua postura por apenas fotografar, mas não ajudar, a
pequena garota: “Um homem ajustando suas lentes para tirar o melhor
enquadramento de sofrimento dela talvez tambem seja um predador, outro
urubu na cena.”, teria dito.
Um ano
depois o fotógrafo, em profunda depressão, suicidou-se.
O paradeiro da
criança é desconhecido.
Eu estou
depressivo… sem telefone… dinheiro para o aluguel… dinheiro para o
sustento de criança… dinheiro para dívidas… dinheiro!!!… Eu estou sendo
perseguido pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor… pela
criança faminta ou ferida… peloss homens loucos com o dedo no gatilho,
muitas vezes policial, assassinos…
Trecho de
sua carta de suicídio