91 - TROPEÇO

Tropecei na língua e falei demais
Excesso de pró-atividade é ruim
Bem sei, mesmo assim tropecei.

Pedi licença poética para tropeçar na estética
Fugi da brancura do tropeço da métrica
Para tropeçar nas rimas
Pobres criaturas trôpegas
Os tropeços que crio

Tropeçou o padre na batina
O político na sabatina
O juiz na sentença
O fiel no pedir de benção
O beato na falsa promessa
Mas Santo não tropeça, vive no céu os tropeços da terra...

Tropeçou o ator na fala
O governo na escala
O poeta mudo que não se cala
E o músico tropeçou na letra
No ritmo do governo que nunca decola
Da criança que tropeçou de ano
Tudo porque fugiu da escola

Tropeça o pai, a mãe e o filho.
Tropeça o agricultor que somente planta milho
Tropeça o comerciante de pouco pavio
Tropeça a mulher que vende o cio
Tropeçam as relações internacionais
No trôpego plantar dos canaviais

Novamente peço licença poética
Para tropeçar no metro
Poema que deveria seguir reto
Mas trôpego, tropeçou...
Caiu e parou no triste tropeçar da vida trôpega...

Eustáquio Braga [Thackyn]
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92 - Tropeços


Tropeço, que trago da vida...
Trapézio, que flutua balançando...Deslizando sobre mim...
Trazendo, belíssimas recordações do meu passado divagando...
Trôpego em minha alma...
Tragando sabores sem fim...
Tirando meu fôlego e sufocando-me de tanto amor...
Trazes dentro de mim sua essência saborosamente...Seu pecado...
Tiranamente me consomes...Dentro de meu corpo...Sussurras...
Tríade de minha paixão...Seu corpo...Seu sexo...Meu amor...


Francisco Cesar Ferreira Espíndola
...

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93 - TROPEÇOS DA VIDA


Querido meu! Não estiveste aqui comigo
No início desta longa caminhada!
Não chegaste cedo em minha vida!
Me deixaste tão carente de ti!

De tropeço em tropeço caminhei vagando,
Sempre à procura de um amor maior!
Procurei por ti, sem saber-te perto!
Tão perto de mim!

Chamei-te, mas nunca me ouviste!
Nem mesmo sabia que eras quem eu queria!
Achei-te tão amigo! Tão companheiro!
Mas na grande aventura que vivemos,

Nunca encontrei meu amor dentro de ti!
Nem jamais senti em ti, amor por mim!
Mas era gostoso estar junto a ti! meu
Corpo sentia-se aconchegado em teu calor!

Partimos tão depressa um do outro!
Longos caminhos nos separaram por
Tantos anos! Tantos anos tropeçamos
Em lamentos e buscas de nós...em nós...

Anos depois, aqui, nesta tela fria
Ficamos surpresos quando
Pudemos conversar outra vez! Nos buscamos
Então, no acaso da vida,num novo encontro afinal!

Meu coração acelerado disparou por ti!
Tropecei nesta saudade do tempo que passou!
Nos desencontros que nos afastaram um do outro!
Amei-te em tua visita a mim! Amigo! Fiel!

Ambos tropeçamos e caímos ! Nos acasos e
Nas estradas que cada um escolheu sem
Encontros! Apenas tropeços! Ficamos tão perto!
Mas agora estávamos tão longe!!

Mesmo que a morte me arranque com crueldade,
Afastando-me da vida,levarei de ti as doces e
Eternas lembranças daqueles nossos longos beijos!Eram suaves, molhados pelo nosso amor!

Beijos doídos, sofridos, mas tão queridos!  Por nós...Aqui...Num lugar de nós dois...Apenas nosso...Um dia...sentidos...sofridos...em nós...

deleniralmeida
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94 - Teimosia

Ando batendo a cabeça em ferros
que estão em meu caminho.
Retiro os ferros?
Não!
Presto mais atenção
aos caminhos
e em mim.

Bilá Bernardes
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95 - Tropeço

Tropeço mas não caio, sou duro na queda e no embalo.
Vou caminhando por caminhos e estradas,
procurando atalhos, pois não sei se me perdi no
Tropeço ou em tempo cronometrado
Não sei se foi um sonho ou tropecei acordado
Busco o certo mas talvez de errado .
Vou em frente e novos tropeços podem surgir ,
mas se acontecer eu vou rir , pois o importante é tropeçar e não cair.

Sidnei piedade.

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96 - QUANTO TROPEÇO

Às vezes, na vida, nos deparamos
Com quedas, tombos e tropeços,
Visualizando o nosso avesso,
Inconsciente, que ignoramos,
Então, de repente, enfrentamos
 Da nossa moeda, o reverso,
E o que julgávamos ser certo
Vira uma grande confusão.
Seguimos na conta-mão
E para ao equilíbrio voltar
Temos, talvez, que enfrentar
Alguns monstros interiores
Que vivem a nos perturbar.
São impecilhos, obstáculos,
Estorvos e embaraços
Que nos levam a errar
O alvo e a tropeçar.
Errar é fonte de lamento,
De tristeza e sentimento
De baixa-estima e no porvir,
Às vezes, nos faz reagir
E outro rumo encontrar
Dando a volta por cima,
Sacudindo assim, à poeira
Nas voltas que a vida dá.
 

Ninita Lucena
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97 - Tropeço

cada passo um risco
um palavra jogada no papel
uma voz perdida na imensidão
do corpo da aurora
cada passo um desejo
um gesto voluntário
uma manobra do arrependimento
o gosto da selva na boca
cada passo um tropeço
um nome que não se esquece
uma vontade de viver além das coisas
um principiar no vazio

Carlos Assis
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98 - Tropeço

Tropeçam os meus ais nos teus sentidos

Tropeçam os meus ais nos teus sentidos

Sem que de ti consigam um carinho

Dolentes, sem resposta, sem abrigos

Jazem num qualquer canto do caminho



Rastejam a teus pés, seguem perdidos

O rastro duma vida em desalinho.

Regressam ao meu peito sucumbidos

Qual pássaro ferido volta ao ninho.



Crava-se – me na alma uma tristeza

Angústia tão intensa, tão sentida

Reafirmando assim esta certeza



A de não ser ninguém ...de andar perdida

Vagueando no espaço- natureza

Sem nunca ter sentido a própria vida!



Helena Fragoso
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99 - Sem Rumo...

Venho nos trilhos do tempo
Estou sem sonhos, sem destino ou direção
Perturbações castigam minha alma e me
levam ao rumo do incerto...duvidoso

Tropeço na minha solidão, nas saudades
que alojaram em meu coração
A dor angustiante no peito me torna cruel,
amarga comigo mesma

Estou perdida nesse abandono, com a
mente cansada e mente cansada não pensa
Embalada nesse desatino eu sigo, mesmo
não sabendo mais quem eu sou

Combato para não perder a esperança
Quero resgatar meu rumo certo, meus sonhos
Tropeço, caio nas amarguras...mas levanto
É minha vida... e é real

Cida Janes

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100 - in_ Diferença


( PARA OS DIRIGENTES DO BRASIL)

conheces a trilha do inferno,onde o poema desliza morto e
a palavra desfalece nos ventos avessos do medo?

conheces a morbidez das águas que leva o menino anônimo
filho da saga (praga?) dos alagados, velado no barro?

conheces os escarlates da febre nascida da lama, que arde
e sangra no corpo frio : - desesperada chama?

eles sim:- conhecem dos ácidos frutos
eles sim:- tomam no cálice do engano

conheces esse soco no estômago?

Amina Ruthar/NANA MERIJ
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