Decerto, é que ninguém é detentor
exclusivo do patrimônio da verdade. Ainda que, nutrido de
conhecimentos e embasado em nossos próprios sofrimentos (quase sempre mais
dolorido que o sofrimento alheio), ninguém em ápice de tormentas pode julgar com
o discernimento necessário e ser o detentor da verdade absoluta. Ainda
que desejasse.
O mérito da veemente e, quase sempre contundente, defesa de
direitos, é subjugada por atenuantes e agravantes em qualquer tribunal. Passamos
do foro íntimo aos especiais e até mesmo aos tribunais de guerra. Mas, penso que
esta questão exacerbada ultrapassa o limite humano de
entendimento.
Os homens são pequenos ante seus interesses próprios, (sejam eles
quais forem), e assim, aglutinam opiniões para o quinhão de sua causa.
Corrompendo, muitas vezes, para seus próprios ideais em sua verdade individual.
Bem certo, que no limiar de ultrajes e açoites a auto defesa prevaleça, ante o
bom senso de não propagar a intolerância, sobre o manto lúdico de professorados
da verdade, do conhecimento peculiar e ainda na defesa de seus
direitos.
Versa opiniões, até mesmo os transtornados de mente humana,
esteja ela no nível que estiver. Não importando neste delírio apocalíptico o
estado de coisas e a razão. Pois que à ofensa, à qualquer um de nós, cabe o
direito de defesa ou da auto defesa. Discorremos, sobre o certo e o errado, sem
muitas das vezes oferecermos de nossas mãos as sementes (já tão sem uso) do
entendimento, do bem, e especificamente do
perdão.
Somos nós neste estado de coisas a esbravejar a “verdade”. Somos
nós, que já na simples ofensa nos interpomos. Quem dera, quando elas se tornam
físicas e encaminham-se para dores maiores. Talvez, pela preservação de nossa
espécie, talvez pela visão circundada e restrita que detemos ante um horizonte
maior, no espaço do tempo
infinito.
Todavia, o indigesto poderá ser o amanhã. Quando percebemos que a
intolerância que utilizamos é a mesma, ou maior, da que foi usada por nosso
“inimigo”. Pois, que fomos também nós nivelados aos desencontros de causa, no
limiar da razão e do coração humano no ambíguo fermentar dos
direitos.
Quem sabe se o agressor foi o agredido ou, o verso? Quem sabe de
suas dores antes das minhas? Quem sabe...? Ah, ninguém sabe! Na minha pequenez
literária eu digo: “O que não dá é para defender a morte. Este não é um
direito nosso”.
Príncips (Sérgio
Bettoni)
05/08/2006.
(este texto não é em defesa do terrorismo, do islamismo, de judeus ou das linhas bushianas, é simplesmente, em defesa da vida).